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Caso Henry: defesa de Monique Medeiros pedirá que gato adotado possa ficar na cadeia com ela

2026-04-22 HaiPress

O gato Hércules na casa de Monique Medeiros,em março — Foto: Reprodução

RESUMO

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GERADO EM: 21/04/2026 - 16:07

STF Restabelece Prisão de Monique Medeiros no Caso Henry Borel

Monique Medeiros,acusada de homicídio por omissão na morte do filho Henry Borel,teve sua prisão preventiva restabelecida pelo STF e voltou à penitenciária Talavera Bruce. A defesa tenta permitir que o gato adotado por Monique,Hércules,a acompanhe na cela. O retorno à prisão visa evitar a coação de testemunhas e garantir a ordem pública. O caso chocou o Brasil,e o julgamento está marcado para maio.

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Ao retornar para a penitenciária Talavera Bruce,em Bangu,Zona Oeste do Rio,após o Supremo Tribunal Federal restabelecer sua prisão preventiva,Monique Medeiros não foi acompanhada do gato que adotou na cadeia e levou para casa ao ser solta em março. A defesa da detenta,porém,afirma que pedirá à direção da unidade carcerária para que o animal possa ficar junto com ela. Caso a medida não seja autorizada,os advogados recorrerão à Justiça. A professora é acusada de homicídio por omissão na morte do filho,Henry Borel,em 2021,crime que chocou o Brasil.

Caso Henry: Monique Medeiros se entrega à polícia e é levada para unidade prisional após STF restabelecer prisão preventivaJulgamento adiado: mãe de Henry Borel,Monique Medeiros deixa penitenciária em Bangu,após determinação da Justiça; veja vídeo

— Para ela,a importância dele é total,porque ela fica 24 horas trancada,numa cela extremamente quente e fechada. Um animal exalando afeto,diante desse cenário de extrema solidão,é algo de grande necessidade — argumenta o advogado Hugo Morais.

Batizado de Hércules,o gato,de mais de 3 anos,ficava aos cuidados de uma policial inicialmente. Há cerca de três anos,no entanto,quando Monique chegou à penitenciária,ele teria se aproximada dela. Passou a ser companheiro frequente na cela e até dormiam na mesma cama,como contou a própria detenta ao GLOBO.

Rotina na cadeia

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De volta à penitenciária Talavera Bruce,Monique Medeiros está em cela individual,prerrogativa garantida por uma decisão judicial,após "constantes ameaças sofridas no cárcere",explica a defesa.

Assim como as demais,ela precisa estar acordada entre 7h e 7h30,segundo a Secretaria de Polícia Penal (Seppen),antiga Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O café da manhã é servido por volta de 8h30; o almoço,mais ou menos às 12h; o lanche,por volta das 15h; e o jantar,em torno das 18h.

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No jantar de segunda-feira,foram servidos a Monique Medeiros frango,legumes,arroz e feijão. Já no café da manhã desta terça,pão com manteiga,café e leite. O cardápio é o mesmo para todas as presas. Apesar dos horários de referência,a realização de cada refeição é uma questão individual,já que é feita dentro da própria cela.

— Por conta da rotina da unidade prisional,as refeições podem acontecer em horários completamente distintos dos nossos. Por volta das 10h,por exemplo,começam a distribuir o almoço,porque não tem como entregar para todo mundo ao meio-dia. Às 16h,Monique recebe o jantar e costuma guardar para comer mais tarde. Como ela não está em prisão especial,apesar de estar em uma cela sozinha,é tratada como todas as outras — conta o advogado Hugo Morais.

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Monique chegou à penitenciária Talavera Bruce por volta das 18h de segunda-feira,após se entregar à polícia e passar pelos trâmites legais. E permanecerá na unidade até o julgamento do caso,marcado para 25 de maio.

— Nós,ela e os familiares temos a certeza de que será feita justiça. E justiça,neste caso,é a condenação de Jairo,o algoz do pequeno Henry,que dormia ao seu lado,bem como a absolvição de Monique,que foi a melhor mãe que seu filho poderia ter. Quanto à sentença,ela já recebeu a pior,que é a de morte,morte de seu filho,com quem ela foi enterrada junto. Mas parece que a sociedade,por conta de um machismo estrutural,não vê isso — defende Hugo Morais.

Restabelecimento da prisão preventiva

Monique Medeiros se entregou na 34ª DP por volta das 8h de segunda-feira. A apresentação na unidade foi organizada entre sua equipe de defesa e o delegado Alexandre Netto. O ministro Gilmar Mendes,do STF,determinou seu retorno à prisão para evitar problemas como a coação de testemunhas no curso do processo.

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Por volta das 12h,ela deixou a delegacia para se submeter a um exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal de Campo Grande. Em seguida,pouco antes das 15h,chegou à Central de Audiência de Custódia do Presídio de Benfica,que funciona como triagem no sistema prisional no Rio antes do encaminhamento para uma penitenciária. Por último,foi encaminhada à cadeia onde se encontra no momento.

Prisão,soltura e prisão novamente

Henry Borel morreu aos 4 anos,em março de 2021. Apontado como autor das agressões que levaram à morte do menino,o ex-vereador e então padrasto,Jairo Souza Santos Júnior,o Jairinho,responde por homicídio qualificado,tortura e coação. Já Monique é acusada de homicídio por omissão qualificado,tortura e coação.

Henry Borel tinha 4 anos quando morreu em casa,à noite,depois de sofrer 23 lesões — Foto: Reprodução

O julgamento do caso ocorreria no último dia 23 de março,mas,após advogados de Jairinho abandonarem o plenário,foi suspenso e adiado para 25 de maio. Na ocasião,a juíza responsável pelo caso,Elizabeth Louro,determinou ainda o relaxamento da prisão de Monique Medeiros,com expedição de alvará de soltura,ao entender que mantê-la no presídio significaria um “constrangimento legal”,já que a ré não contribuiu para o adiamento. Jairinho,por sua vez,permaneceu preso.

Quem é Monique Medeiros: professora é acusada pela morte do filho,Henry Borel

Após a soltura de Monique,Leniel Borel,assistente de acusação no caso e pai do menino,apresentou reclamação constitucional à Procuradoria Geral da República (PGR) contra a medida,que corroborou a queixa. No dia 16,a PGR se manifestou ao STF a favor do retorno da ré à prisão preventiva.

De acordo com o parecer do órgão,o Supremo já havia analisado a situação de Monique Medeiros em decisões anteriores e concluído que a prisão preventiva era necessária para garantir a ordem pública,a instrução do processo e a eventual aplicação da lei penal. Ao revogar essa prisão,o juízo de primeira instância teria desrespeitado a autoridade dessas decisões.

Na sexta-feira,o ministro Gilmar Mendes restabeleceu a prisão preventiva. Ao analisar o caso,o decano endossou o argumento de que o STF já havia determinado a prisão preventiva,decisão que depois foi confirmada por unanimidade pela Segunda Turma. De acordo com o ministro,a medida "permanece imprescindível" para garantir a ordem pública e a instrução criminal,diante da gravidade do crime e de episódios de coação de testemunhas.

O ministro ainda ressalta,em seu voto,que,além do crime de coação,os acusados também respondem por fraude processual. E afirma que as condutas “indicam desejo de embaraçar as investigações e,consequentemente,a regular instrução criminal,reforçando a necessidade da prisão para sua garantia”.

No sábado,após recurso da defesa,o magistrado manteve a ordem de prisão de Monique. Nesta terça-feira,a defesa disse que apresentou pedido de esclarecimentos ao magistrado e que ele ainda não respondeu. Caso a decisão seja mantida,afirmou,um novo recurso será apresentado na Segunda Turma do STF.

'Medida essencial'

Pai do menino Henry e assistente de acusação,Leniel Borel disse que a nova prisão de Monique Medeiros representa "uma medida essencial"' para garantir o andamento regular do processo,proteger as testemunhas e resguardar a busca da verdade no caso.

— A decisão do STF é essencial para proteger o julgamento,a segurança das testemunhas e o próprio respeito à Justiça. Não se pode admitir que manobras tentem atrasar o processo,enfraquecer a verdade e colocar em risco a resposta que a sociedade espera diante de um crime tão cruel. O ministro Gilmar Mendes reconheceu com clareza o risco concreto que a soltura de Monique representava e reafirmou a extrema gravidade desse caso — afirmou.

Leniel ressalta ainda que continua incansável na busca por justiça:

— Eu sigo lutando como pai,como vítima e como assistente de acusação. Não vou aceitar retrocessos,não vou me calar e não vou desistir em nenhuma hipótese. Essa é uma luta pela memória do meu filho Henry,pelo respeito à Justiça e por uma resposta firme do Estado diante de crimes praticados contra crianças. Quem ama um filho não abandona a busca por Justiça. E eu vou até o fim.

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