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'Os Times da Seleção': Qual clube mais contribui para a história do Brasil nas Copas? Entre o tri e o tetra, a beleza e a decepção, a vez do Flamengo

2026-05-15 HaiPress

header-times-selecao-zico — Foto: Arte O GLOBO

O Flamengo é o clube que mais desperta sentimentos extremos e exagerados no futebol brasileiro. Para milhões,é paixão herdada de família,arquibancada ou infância,que se vive como se fosse sempre o último jogo. Para outros milhões,o alvo preferencial de rivalidade e implicância. Poucos clubes no país provocam reações tão intensas — para o bem e para o mal. Provavelmente por isso existe uma provocação comum repetida há décadas: a de que o Flamengo nunca teve lá grande peso na história da seleção brasileira em Copas do Mundo.

O ranking elaborado pelo GLOBO para a série que reconta a trajetória do Brasil nos Mundiais através dos clubes sugere outra coisa. Depois de aparecer em quarto lugar no recorte entre 1930 e 1954 — capítulo vencido pelo Vasco —,e no top-3 da era dominada “só” pelo Santos de Pelé e Botafogo de Garrincha,entre 1958 e 1970,o Flamengo surge no topo do período entre 1974 e 1986. Sim,são os anos do jejum da seleção brasileira,entre o tricampeonato no México e o tetra nos Estados Unidos,24 anos igualados só pela geração atual. Mas também época de seleções lembradas pelo futebol bonito,mesmo sem o troféu.

A série atribui pontos por convocação,partidas disputadas,gols marcados e também aos clubes formadores dos jogadores. O objetivo não é medir “quem teve o melhor jogador”,ou “qual o maior time”,mas quais clubes mais contribuíram para a história da seleção em Mundiais. E nestes anos,ninguém fez mais pontos que o rubro-negro.

É curioso porque a memória popular costuma associar 1974 a uma seleção em reconstrução,1978 a um duvidoso campeonato moral,1982 a um fracasso traumático de futebol encantador,e 1986 a uma despedida melancólica de uma geração que podia mais. Quando as quatro Copas são somadas,o Flamengo termina à frente de todos. Não por larga vantagem. Não por domínio absoluto. Mas porque atravessa aquele período inteiro,vencedor como clube no Brasil,e entre sorriso e choro com seus jogadores na seleção,com protagonismo contínuo.

Claro que quase tudo passa por Zico.

O camisa 10 é o maior rosto daquela geração e um dos jogadores mais influentes da história do futebol brasileiro. Seus gols,jogos e convocações pesam brutalmente no ranking. Mas o Flamengo não lidera só por causa dele,pois aquela geração era profunda. Júnior atravessou Copas e épocas diferentes. Leandro foi peça central de uma das seleções mais admiradas que o país produziu. E outros jogadores seguiram alimentando a presença rubro-negra na seleção ao longo dos anos.

Time do Flamengo campeão da Libertadores em 1981 — Foto: ANIBAL PHILOT

O ranking também ajuda a explicar algo importante sobre o próprio futebol brasileiro da época: já não era mais uma era concentrada em poucos clubes. O Flamengo vence,mas cercado. O São Paulo aparece logo atrás. Mais um ou dois golzinhos de Careca em 1986 e o topo mudava de mãos.

Corinthians,Internacional,Atlético Mineiro e Grêmio crescem. O interior paulista ganha força com Ponte Preta e Guarani. Minas e Sul entram de vez na geografia da seleção. A própria distribuição dos pontos mostra um futebol brasileiro mais espalhado,nacionalizado e competitivo.

Não foi a era de um clube soberano. Foi a de uma seleção que encantou sem vencer,e de alguns times que se tornaram,juntos,o principal rosto desse encanto. Sem a taça. Mas não sem História.

Existe uma beleza simbólica no fato de Flamengo e São Paulo — justamente dois dos clubes de maior torcida do país — terminarem no topo de uma era tão relembrada da seleção brasileira seguidos por clubes de diferentes CEPs. É que o dado ganha ainda mais força quando se olha para a frente. A partir do próximo capítulo da série,entre 1990 e 2002,os clubes estrangeiros deixam de ser apenas cenário e passam a disputar o ranking. Barcelona,Milan,Inter de Milão e outros começam a pipocar aos poucos no topo da lista.

Copa do Mundo na Espanha,em 1982. Brasil 3 x 1 Argentina,no Estádio Sarriá. Na foto,jogadores da seleção comemoram o primeiro gol do Brasil — Foto: Anibal Philot / Agência O Globo

Por isso,o período entre 1974 e 1990 acaba funcionando também como o último grande respiro de uma seleção essencialmente nacional,formada não apenas por jogadores que atuavam no Brasil,mas por clubes espalhados por diferentes regiões do país e capazes de representar um futebol brasileiro ainda profundamente plural. A Copa do Mundo não foi nossa. A seleção,ainda era.

Próximo capítulo,dia 16/5: a geração de 1990 a 2002.

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